25 fevereiro, 2011

Opiniões....

Se acreditarmos que as pessoas só são realmente boas em duas ou três coisas na vida, podemos facilmente perceber que existe uma tendência para que numa delas sejam naturalmente boas, na outra tenham que se esforçar por ser, e a última, provavelmente ainda nem descobriram qual é.

Este "principio"que alguns, como eu, acreditam, nem sempre é bem aceite. Há quem acredite que pode ser bom em qualquer coisa e esta situação é facilmente detectada quando encontramos quem de forma não prudente, emite opinião sobre qualquer assunto, sem o minimo de reflexão sobre o seu papel (já não considerando a necessária reflexão sobre a própria opinião emitida).

Fiz esta reflexão quando observei um senhor, representante de uma ordem profissional, emitir uma opinião sobre o uso de taser numa prisão portuguesa. Quando questionado por um jornalista, (não sei se foi encontrado aleatoriamente num local) este senhor emitiu a SUA opinião - "exibição doentia de poder e de autoridade"... "inadmissível num Estado de Direito" .

Esta opinião não representa a classe profissional onde se inserem os especialistas em comportamento humano, que efectuam uma reflexão sobre qual o comportamento mais adequado para a resolução do um problema.
Também não representa a classe profissional de guardas prisionais, que todos os dias vivem com a realidade do comportamento de reclusos, adequando a sua resposta aos casos que enfrentam.
E obviamente não representa a sua própria classe profissional, que poderá a qualquer momento ter que defender o membro do GISP que usou o taser, ou o responsável prisional que autorizou este uso.

Parece-me de senso comum que a melhor resolução de um problema, está na resposta que o resolva com menos danos e maior sucesso. 14 minutos de conversa e uma descarga de taser, parece-me bem mais adequado, do que um motim prisional, um tiro de bala de borracha ou o espancamento, que neste contexto e face ao historial do recluso, parecia ser a conclusão mais provável.

A prova que vivemos num país que respeita os direitos humanos, é que temos prisões, onde neste caso, o recluso tem a sua propria àrea, onde se defendem os direitos dos restantes reclusos a cumprirem a sua pena com condições, e o uso de um taser é aplicado excepcionalmente, como resposta ao comportamento de um individuo já referenciado com histórico de violência.
Mais não seja, esta situação mereceu direito de antena, com abertura de noticiários nacionais e inquérito na Assembleia da Republica. Isto sim, é de um país que tem na sua base o respeito pelos direitos humanos.

Voltando ao inicio, fico tentada a identificar as 3 coisas que o senhor em cima é bom na vida.
É naturalmente bom na capacidade de emitir opiniões sobre qualquer tema.
Tem que esforçar-se por ser bom na representação da sua classe profissional
Ainda não descobriu que pode ser bom não emitir uma opinião.



Deixo-vos o link para um Blog, com diversas opiniões de guardas prisionais que conhecem ,melhor que eu esta realidade e possam assim reflectir e emitir a VOSSA propria opinião.




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