24 fevereiro, 2007

Ainda o referendo

Sou uma defensora do Não. No primeiro referendo não me senti preparada para uma decisão, mas com o passar dos anos reflecti e maturei aquilo que acho que não pode ser avaliado em poucos meses.
Nas discussões que tive sobre o tema, tentei sempre (e tantas vezes não fui bem sucedida) não cair na tentação de querer convencer alguém da minha posição, por razões que me fazem crer que não se deve interferir na consciência de ninguém sobre este assunto... existem outros assuntos que estão na base e face aos quais este referendo é apenas uma peça acessória de valores e principios sobre os quais vemos e avaliamos a humanidade.

Quando participamos em decisões que afectam a nossa "evolução", devemos também reflectir sobre que rumo seguimos (ou queremos seguir) enquanto humanidade e a forma como esse rumo afecta o nosso raciocinio e capacidade de julgamento.

Poderemos responder de forma mais restricta e questionar se os resultados demonstram uma vontade de Portugal ser um país mais evoluido, tal como o orgulho de ter a maior ponte da Europa ou o maior centro comercial da Peninsula?
Podemos ainda questionar se será ainda possivel acreditar numa consciência global que acredite que o mundo pode ser melhor?

Sendo seres sociais, mas expressamente individualistas, poderemos tender para cada um dos lados sem sentir qualquer equivoco emocional, no entanto no ambito da razão teremos sempre bases claras para definir as nossas opções, sejam elas quais forem.

No (ainda) rescaldo do referendo, continuo a dar por mim a reflectir no que será a nossa sociedade no futuro, que alterações o nosso pensamento irá sofrer, ou que momentos teremos que enfrentar face a este resultado.
No país em que todos nos queixamos mas ninguém participa, todos criticamos mas ninguém faz, em que dias depois já não é bem assim... é importante compreender que a decisão deste referendo responsabiliza e obriga TODOS, a participar mais e melhor na nossa comunidade.

Este voto, não admite a desresponsabilização, ao contrário de outros "votos", neste não podemos dizer que nos enganaram.

Nos rescaldo do referendo a Conferência Episcopal, elaborou uma nota pastoral que deixo agora aqui acessivel (http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=42930). Com algumas referências de vocação mais cristã, não deixa de ser um documento inspirador para quem independentemente da religião ou da razão que levou a votar Não, continua a acreditar numa sociedade mais solidaria e principalmente mais perfeita.

A glória de cada dia

Já era e já foi, mudou tudo...desde à um ano mudou tudo... o espaço, o cheiro, a vista, o som e o tacto.
Com tanta mudança não podia exigir de mim mais, mas já foi ...estou pronta para regressar à glória de cada dia.

"As loucuras de que mais nos arrependemos na vida, são aquelas que não comentemos quando tivemos oportunidade" Helen Rowland